31/08/2009

19/08/2009

Roberta Mendez por Albert Nane

13/08/2009

Do Caderno G da Gazeta do Povo
foto: Albert Nane
Alexandre França apresenta sua Música de Apartamento

Publicado em 13/08/2009 Pedro de Castro, especial para a Gazeta do Povo
Seguindo a linha de temas tristes e intimistas iniciada com “A solidão não mata, dá a idéia”, o novo disco do músico curitibano Alexandre França toma um espaço de clausura das cidades como metáfora para falar de um personagem ordinário, o chefe de uma família de classe média. Música de Apartamento transforma a previsibilidade deste cenário numa sequência de tragédias teatrais, acompanhada de uma instrumentação pouco carregada. França lança o novo disco hoje e amanhã, no Teatro Paiol, às 21 horas.O apartamento é o espaço onde se desenvolvem as histórias das letras das canções, que mantêm uma tênue linha narrativa, pouco evidente de propósito. Dentro dele, o homem experimenta decepção, traição e morte. Porém a continuidade não é mais importante que os episódios isolados. O espaço delimita a ação, é a clausura do personagem, e acumula outro significado. “Exploramos o sentido burguês do apartamento, símbolo desta camada, que não só contém como está ligado ao percurso do sujeito de classe média”, explica França. A presença do tema do isolamento remete ao disco anterior, que o músico faz questão de diferenciar. “Bus­ca­mos outro sentido além da solidão do apartamento, e este disco tem um tom mais intimista”, esclarece.A visão voltada para si próprio é reforçada por um arranjo de poucos instrumentos, que tam­­bém abre espaço ao viés cênico das canções. Sons encontrados no ambiente de um apartamento, como o barulho de água fervendo na chaleira até o ranger de portas ou o choro de um bebê, interferem na melodia das canções, pautadas pela estética da MPB. Um exemplo é a faixa que abre o trabalho, “Valsa de Apartamento”, onde o som de escovar de dentes dita o ritmo da canção. “A intenção é que o ouvinte fique absorvido na atmosfera do lugar através do disco e a instrumentação contribui com isso”, conta o músico.França espera que o trabalho tenha uma boa recepção. “O outro disco já tinha recebido boas críticas”, lembra. O CD foi produzido dentro do âmbito do projeto Pixinguinha, da Funarte, que visa difundir a música popular brasileira.* * *ServiçoMúsica de Apartamento – Alexandre França. Teatro Paiol (Lgo. Guido Viaro, s/nº – Prado Velho), (41) 3213-1340. Hoje e amanhã, às 21 horas. Ingresso: R$ 15 (com CD), R$ 10 e R$ 7 (estudantes).


04/08/2009

exposição de olhos fechados
galpro: rua dos cariris-421-largo da batata-pinheiros

03/08/2009

O aqui-e-agora ou nada
Por Marcio Renato dos Santos/ Caderno G

A supervelocidade da difusão dos fatos, a necessidade de tomar decisões, a impossibilidade de adiar respostas e outras nuances do tempo presente, no qual parece não haver mais espaço para não fazer nada.
Tudo isso, e bem mais, foi processado, digerido e reelaborado literariamente por Marcio Reinecken, de 35 anos, e está nas páginas de Você Está Aqui ou não Está em Lugar Nenhum. O livro, a estréia literária do autor, traz 13 contos que dialogam entre si. Muito mais do que apenas pelas "histórias", mas sobretudo pela linguagem, as narrativas conversam entre si, pulsando o tempo todo.
"Você está parado no meio de um quarto bagunçado ou não está em lugar nenhum. (...) Você está sentado no sofá da sala. Você sorri, pois sabe que não está em outro lugar. Você está aqui." Assim enuncia a voz narrativa do texto que empresta o título ao livro. A prosa de Reinecken, rápida, quer acompanhar a pulsação perceptível do planeta neste caótico século 21. As repetições e eventuais lacunas que os contos apresentam, por exemplo, são intencionais. "A vida é repetitiva. E as lacunas do texto têm a ver com a impossibilidade de se concluir assuntos e mesmo de fechar todas as portas que abrimos no cotidiano", diz o escritor.
Reinecken enfatiza que, muito mais do que apenas contar "histórias" (que, entre as suas variações, são limitadas e se repetem), ele focou energia em busca da elaboração de uma linguagem, a mais adequada possível ao conteúdo sobre o qual ele reflete – as inquietações do humano em meio a um mundo em permanente mutação e turbulência.
"E, pensando bem, mais do que contar algo, o que importa é o 'como' contar. Apostei todas as fichas nisso", diz. O trabalho teve início há 14 anos.

Foto de Estelle Flores
Ele deixou a sua Pelotas (RS) natal em 1994 com o sonho de se tornar escritor e publicar um livro. Fixou residência em Curitiba e decidiu trilhar as veredas jornalísticas para aprimorar a escrita e armazenar experiência de vida. "Conheci o mundo por meio do jornalismo."
Fez no ano passado a cobertura dos Jogos Olímpicos de Pequim (China) e já esteve a trabalho em países como México, Colômbia e Peru. "Isso ampliou os meus horizontes e me ajudou a entender ainda mais o ser humano." Reinecken considera que este livro encerra um ciclo. "Não vejo a hora de começar um novo ciclo. E um novo livro."

24/07/2009

Albert Nane

O que se passa nas nuvens de seus olhos?
Que luz rabisca o céu de sua mente?

A pomba rapta a ventania do assombro
E tal rasgo é belo em sua lente.

Suas pálpebras ao abrirem/ ao fecharem
São acenos, abraços em desenhos
Órfãos de significados.

Que som o acorda para este mundo?
O que tanto eu aprendo
Com todos estes auto-retratos?

Alexandre França

20/07/2009

*foto por Albert Nane, grande fotógrafo, grande amigo.

oi. tô bêbada

Junho 29, 2008 por marinaaa

não, eu não saí, fiquei no meu quarto, na minha cama com lap top no colo, taça de vinho na mesinha de cabeceira, preguiça da vida. nem um filme eu queria ver. o louis ta no glastonbury trabalhando pra uma rádio, entrevistando músico mal humorado com o lamaçal e o cheiro de merda, quando me ligou, tadinho. eu estive la ano passado, trabalhando, cumprindo obrigação, estava la solamente pelo lo diñero (portunhol bombando), e eu ainda não entendo como 170 mil pessoas pagam 150 pounds (o equivalente a 600 reais) para brincar de campo de refugiados. espera. vou encher minha taça.

hoje, fui checar um email que eu nunca checo. achei lá uma mensagem de 3 meses atrás de um amigo. ele achou uma foto velha. algo entre 2000 e 2003. se transportar essa foto para o presente, eu estou entre mortos e vivos. o neto tá na foto. o neto foi meu namorado. meu primeiro namorado sério. no dia 31 de dezembro de 2005 ele morreu. os amigos que estavam presentes contam que ele estava nadando. ele mergulhou uma vez e voltou. ele mergulhou outra vez e se foi. num lugar chamado ilha do mel. um belo dia, um belo lugar, feliz e entre amigos. foi um grande choque pra mim. era o segundo homem/menino (mais menino do que homem) por quem eu nutria uma espécie de sentimento que morria em menos de um mês. eu pensei que eu era amaldiçoada. meu ego é horroroso. eu relaciono tudo o que acontece no mundo comigo mesma. é como ver aquela musica ali, dando sopa, dizendo claramente uma coisa pra outra pessoa, e mesmo assim, eu não consigo me convencer, eu continuo achando que é pra mim. e as coincidências me emputecem… logo hoje? e ainda por cima, nessa semana 3 dias eu sonhei. ego ego ego terrível. pq eu não me conformo simplesmente… parece que tudo isso tem mais haver com os contos de fadas que eu acredito, do que com o que eu sinto. eu na minha terra do nunca queria viver uma vida com um destino. aquele tipo de destino que você tenta mas não consegue fugir. uma explicação lógica para isso é que foi ele quem me fez tomar coragem e me livrar de tudo que eu nunca quis pra mim. foi por ele, não por mim. mesmo que nunca tenha me amado, ele me fez acreditar que mais de 3 homens no mundo (2 mortos que eu quase amamentei e um morto-vivo que quase me matou) podiam me amar um dia. ele me deu a esperança de que ainda podia ser amada por quem eu amasse, um dia. e ele cumpriu essa função esplendidamente bem (pleonasmo que me encanta). eu não amo ele. e ele não me ama. talvez no mundo da fantasia, no mundo de Platão. mas na vida real, eu tenho um amor verdadeiro, recíproco, vai e vem. é calmo, é sincero, não obsessivo, sem doença, sem mentiras e com tudo que me faz bem. e eu sei que eu faço bem também. essas coisas do passado, é tão estranho, tanta coisa aconteceu, que elas parecem parte da vida de outra pessoa que eu conheço bem. e eu ainda penso muito sobre elas. analiticamente, eu tento entender pq eu agia de certa maneira, pq eu mentia sobre minha pessoa, pq eu me cercava de pessoas doentes (verdadeiramente, ou simplesmente perdidas, desesperadas, sozinhas) como um dia disse um amigo meu. e olhando pra foto onde o neto, a carol, os velhos libaneses e suas netas, eu lembro que de tudo isso, tudinho, ficou algo muito importante pra mim dentro de mim. de melhores amigos a piores inimigos, de melhores amigos escolhendo o lado do inimigo, de facas apontadas, polícia e irônia, de carregar um garoto epiléptico de 85 quilos, de abraçar um outro maior ainda me perguntando se ele podia ser meu menino, de comer bananas em sua homenagem sentada no pátio da reitoria, de ter mudado a vida de um coitado, ser roubada e ainda se sentir agradecida, o karma da cama quebrada, a pior gripe da minha vida, andar 40 minutos na chuva de salto com um saco de presentes planejando um pic nic que foi o maior fiasco da minha vida romântica, largar o certo pelo incerto, sem olhar pra trás nem procurar a porta de saída. o tempo parou nos meus ombros. esses relógios, significam o peso do tempo percorrido, que não volta mais, que não pode ser corrigido. o melhor e o pior, tão aí, dentro de mim pra sempre e nada do que eu faça vai apagar isso.

Marina Ribatski

Igor Ribeiro por Albert Nane

19/07/2009


Auto rascunho


Carmen retirou um cigarro do maço, posicionou o cinzeiro no melhor ângulo e acendeu. Levantou a mão na altura do rosto, balançando, e pensou 'estou confusa'.

Essa sempre foi minha pose de doida descolada preferida. Seja com platéia em bar cheio ou no conforto do lar doce lar. Admito que prefiro a primeira opção, para não disperdiçar a sensualidade do ato. E acredito que sensualidade só existe quando há um mais um. Ou uns. Ou vários. Assim como ser bem resolvida – só sou bem resolvida quando há um mais um. Ou uns. Ou vários. Nesses dias nublados, sozinha – apenas eu e a merda da minha consciência boxeadora –, corro perigo. Sorteio números de telefone para convites tentadores. Todos recusados. Poderiam até render uma boa trepada, mas, estamos no inverno e as pessoas sentem frio ao tirar a roupa. Prefiro acreditar nisso para não pensar em rejeição. Se escolho a última opção, sozinha, mal resolvida, perco o escasso auto-controle. Aí, perco também a graça e viro dramalhão mexicano. Ok, paro de enrolar: ficar sozinha me deprime.

Nem falo da solidão em si. Aproveito bem os momentos em que posso escolher o sabor da pizza sem perguntar 'amor, tem certeza que não quer calabresa que eu odeio?'. Adoro utilizar todo o espaço da cama e fumar sem me preocupar se a fumaça incomoda o vizinho. Mas, ficar sozinha exige monólogos permanentes e sinceros. Monólogos nunca são comédias, sinceridade sempre dói. A minha calça fica mais apertada, meu cabelo amassado. e não paro por aí: eu viro má, mentirosa, cretina e cruel. Penso e repenso e analiso toda a minha vida. Ela já não á grande exemplo de o que eu quero ser quando crescer. Nessas horas, vira a merda suja em que vivemos. É, mastigo e saboreio todas as minhas frustrações. E as alheias – claro, eu tenho culpa por todas, do desmatamento da floresta amazônica e efeito estufa ao dinheiro que minha mãe perdeu no caminho do banco para casa. Todas as coisas no mundo são minha culpa. Eu se não são, eu poderia ajudar a piorá-las nesse exato momento. E não suporto remoer tanto sofrimento junto, tantas pessoas morrendo e matando por minha causa. Eu, eu, eu. Só o que penso agora, eu. Eu aqui, eu ali, um mundo de leticias, como se eu, Malkovich, entrasse no recipiente do sétimo e meio. Acabo amanhã.


por leticia fontanella | 16:03

Albert Piauhy por Joyce Vieira
Do blog do Solda

18/07/2009

Sara Cesari por Albert Nane
Albert Nane
Albert Nane por Thiago Autran

James

Um dos primeiros endereços na noite curitibana para os amantes de música alternativa, o James é ponto de encontro de músicos, jornalistas e artistas. O local está é referência como a casa do indie em Curitiba. Tanto que foi lá que o pessoal do Mercury Rev tomou a merecida cerveja após o show do Curitiba Rock Festival. Também já estiveram na casa os músicos do Breeders e do Foo Fighters.

E não é à toa que isso aconteceu. Boa parte das bandas alternativas de Curitiba e várias de São Paulo, do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul já se apresentaram no bar, que também abrigou festas com discotecagem dos jornalistas Lúcio Ribeiro e Fábio Massari. E não é por acaso que os donos do bar sabem o que tocar e a quem chamar. O amor ao rock é levado a sério no James porque os donos do local são apaixonados por música. Um dos proprietários, Luciano, é guitarrista e já tocou em várias bandas, como o ESS e Autobahn.

Menina dos Olhos

Valorizando artistas plásticos curitibanos, o James agora está com nova decoração idealizada pelos arquitetos Eduardo Pinha e Márcia Bley. O desenhista André Ducci assina as ilustrações nas paredes e na entrada do bar. A programação visual foi concebida pela artista Karen Tortato. Com as mudanças, James Brown, James Bond e até Jimi Hendrix integram a balada e dão uma cara ainda mais moderna ao local.

A partir da mudança na decoração, a proposta da programação também mudou. Agora ela é fixa, com atrações diferenciadas a cada noite. A quarta é o dia do Rock, a quinta é do Groove, a sexta é da música independente e foi batizada de sexta Alta Fidelidade, o sábado é dia de festa com pop e eletrônico, e o domingo é o dia das bandas.

James

Juliana Valente por Albert Nane

17/07/2009


Antologia das linguagens fotográficas e suas inovações sígnicas.

Falar sobre este tema nos leva necessariamente a retroceder no tempo e pensar no surgimento da fotografia da modernidade. Claro que aqui, não nos interessa esta viagem no passado, mas apenas algumas representações que vão permanecer até o presente.Parte-se portanto aqui da última frase do texto do Walter Benjamin “Pequena História da Fotografia” que lembra fotógrafo húngaro Moholy-Nagy e afirma: “o analfabeto do futuro não será quem não souber ler, mas quem não souber fotografar”.

Qual o papel da fotografia na sociedade contemporânea? O que significa a imagem? Vamos partir de um conceito – entre os muitos possíveis, já que a fotografia é polissêmica, e que antes de mais nada ela pertence à esfera da comunicação! Quem fotografa quer dizer algo! Portanto antes de mais nada estamos falando de ato comunicacional. •Depois disso temos que partir do fato que antes de mais nada, fotografia é documento.

E aqui abro espaço para trazer a frase da fotógrafa e estudiosa Gisèle Freund, que afirma: “Na minha opinião uma fotografia é primeiramente e principalmente um documento. Às vezes obra de arte, mas raramente” E podemos continuar com outra frase, desta vez do mestre Henry Cartier-Bresson: “fotografia é ação, desenho meditação”

Tudo isso para entendermos as inovações sígnicas da fotografia. Desde sua invenção, ou seja, metade do século XIX a fotografia cria uma nova significação para o mundo. Não só ela nos ensina a olhar, mas também nos ajuda a perceber este mundo. Para entendermos o discurso fotográfico devemos ir além do traço primeiro que a imagem traz e compreender que ela nada mais é do que a concretização do nosso imaginário. Por mais calcada no real, toda e qualquer imagem é ficção.

Qual a função de uma imagem fotográfica? Devemos partir da premissa que fotografias não documentam objetos ou pessoas, mas documentam nosso imaginário. Onde é possível perceber isso? Nas imagens que querem tratar ou retratar não só o cotidiano, mas também fatos que escapam deste mesmo cotidiano. Uma das primeiras coisas ou clichês que devemos quebrar é de que a fotografia é uma linguagem universal.

A significação das mensagens fotográficas é culturalmente determinada. E sua recepção necessita de códigos de leitura. O que queremos dizer com isso, como afirmou André Bazin, é que se a fotografia não nega o real, ela o desloca. A fotografia é da ordem da impressão, do traço e da marca. Não podemos também esquecer que ainda existe um denominador comum que define a fotografia como uma mensagem portadora de um valor absoluto: por semelhança ou convenção. O que sabemos pelos vários estudos teóricos da imagem é que ela cumpre funções sociais. •Se ela é vista como realista e objetiva é porque lhe atribuíram estas funções para responder questões específicas de uma sociedade. Hoje com a Internet, a linguagem digital, a grande maioria das pessoas sabe que uma imagem pode ser manipulada, então cria-se um novo discurso sobre credibilidade da imagem.

Existem formas que a sociedade gosta de ser representada. Mais uma vez a fotografia ajuda a concretizar estas representações. Mas atenção: numa época em que tudo ou quase tudo é virtual, podemos caminhar novamente para uma visão positivista da imagem. Ou seja, torná-la novamente espelho do real, assim como no século XIX ao privilegiar o aparelho em detrimento do olhar particular de cada um.

O homem não vive num mundo só de impressões imediatas, mas também num mundo de conceitos abstratos. Acumula não só a experiência sensorial imediata, mas também a experiência social formulada no sistema de conceitos abstratos. Portanto o homem reflete a realidade não através das sensações imediatas, mas através da experiência racional abstrata. Ou seja construímos ou produzimos conhecimento por meio de representações.O filósofo alemão Friedrich Nietzche, afirmava que a realidade é criada e não descoberta. Os meios de comunicação – no nosso caso a fotografia – não são meros transmissores de informação ou conteúdo simbólico, mas são também criadores de novas formas de ação e interação no mundo social.

Simonetta Persichetti

14/07/2009